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Carreira
29/04/2022 15:00:01
553 acessos
STEM: formação em 'profissões do futuro' tem retorno salarial pior que carreira tradicional Pixabay/Foto: Luis Wilker

Um estudo mostrou que brasileiros formados nas áreas de Ciência, Engenharia, Matemática e Computação–em particular as mulheres– têm dificuldade em progredir na carreira e para conseguir melhor remuneração em seu campo de formação no Brasil.

Os dados foram levantados pelos pesquisadores Cecilia Machado, Laísa Rachter, Fábio Schanaider e Mariana Stussi.

As áreas apontadas no levantamento, muito apontadas como os “empregos do futuro”, são chamadas também pela sigla em inglês STEM. 

O investimento nesses campos de formação é considerado por especialistas como um passo essencial para que o país se destaque internacionalmente nos próximos anos.

O estudo aponta que formar-se nessas áreas do conhecimento no Brasil traz um incremento salarial de 12,2% em comparação com aqueles sem diploma no campo —retorno mais modesto do que o observado em áreas mais tradicionais, como medicina (75,5%) ou direito (36,6%).

Rachter explica que os dados contemplam pessoas entre 25 e 54 anos, com alguma formação superior. As conclusões, portanto, não consideram aqueles profissionais que, mesmo sem concluir a faculdade, já começam a trabalhar na área de tecnologia.

Os pesquisadores, no entanto, reforçam que há uma heterogeneidade entre os salários de diferentes tipos de formação STEM. 

Engenheiros e arquitetos ganham, em média, retornos salariais 35% maiores que outras ocupações, enquanto a remuneração de pessoas com formação em computação e matemática são inferiores, de 4,8%.

Segundo os pesquisadores, os baixos retornos indicam que o Brasil ainda não está nesse estágio. Esses resultados colocam em questão que tipo de políticas públicas devem ser implementadas para aumentar o retorno sobre ocupações STEM em algumas áreas específicas.

No caso da formação em computação e matemática, embora os profissionais de computação costumem ser disputados e ter alta remuneração, as outras profissões deste subgrupo acabam puxando para baixo a remuneração, explica Rachter.

“Alguém que se forma em matemática, por exemplo, costuma ter duas trajetórias de carreira distintas: pode trabalhar em matemática aplicada, programação, trabalhar em fintechs e ciências de dados ou pode ir para o magistério, em que o salário é muito menor”, diz.

“As mulheres com essa formação têm maior probabilidade de atuar em educação e saúde, o que contribui para uma remuneração menor delas”, acrescenta Rachter.

No entanto, o campo de graduação de computação e matemática deve desempenhar um papel crucial na revolução da automação e da inteligência artificial ​​nas economias avançadas.

“O mercado de trabalho é muito dinâmico e responde rapidamente aos ciclos econômicos, as empresas se adaptam aos novos tempos, mas acaba levando mais tempo para que a formação dos profissionais se adapte”, diz a economista-chefe do Banco BOCOM BBM, professora da EPGE – FGV (Escola Brasileira de Economia e Finanças, da Fundação Getulio Vargas) e colunista da Folha, Cecilia Machado.

Maioria dos formados trabalha em empregos fora da área

O estudo também acompanhou, a partir de dados do Censo de 2010, até que ponto a formação nessas áreas tecnológicas garante que o diplomado consiga um emprego nelas e o resultado foi decepcionante.

A maior parte dos homens formados nas áreas STEM acabou trabalhando em empregos que não estão relacionados à formação e só um terço deles (33%) atuava nos chamados “empregos do futuro”.

Entre as profissionais mulheres, essa participação é ainda menor: apenas 20% das formadas nessas áreas trabalhavam em profissões relacionadas.

Os pesquisadores observam que o sucesso do diplomado no mercado de trabalho também é resultado de várias decisões ao longo da carreira. Mas dado o número de pessoas com formações STEM que não necessariamente vão trabalhar nesse campo, realidade que também é pior entre as mulheres, parece haver um desperdício de formação nessas áreas.

“Um dos grandes desafios para atrair mulheres é romper os preconceitos de gênero, de que mulher não gosta de matemática, por exemplo. A menor participação delas acaba sendo reforçada por vícios culturais”, lembra Machado.

Da mesma forma, o percentual de homens sem formação nessas áreas e que mesmo assim atuam em empregos tipo STEM é maior do que o das mulheres na mesma condição —de 6% para eles, ante 2% para elas.

Segundo Machado, isso também pode ser um reflexo de questões de gênero. “Os homens tendem a ser mais estimulados a desenvolver habilidades de uso de tecnologias e de matemática, considerando-se os investimentos que são feitos neles ao longo da vida.”

Na comparação internacional, os pesquisadores lembram que o setor de tecnologia no Brasil é menor tanto em quantidade de pessoas atuando, em termos absolutos, quanto em termos relativos, na proporção desses profissionais na força de trabalho.

A presença desses profissionais é inferior na comparação com países como Estados Unidos e Canadá. No terceiro trimestre do ano passado, o número de trabalhadores em funções STEM era de 1,5 milhão, ou 2% dos empregos, segundo outro estudo publicado pelos quatro pesquisadores. Enquanto isso, na economia norte-americana, 10 milhões (7%) ocupam essas funções.

“O potencial de crescimento no Brasil e no mundo é grande, essas parecem ser realmente profissões do futuro com melhores perspectivas salariais, mas na parte tecnológica, não estamos tão à frente quanto os países desenvolvidos. E quanto mais trabalhadores STEM um país tem, mais ele consegue absorvê-los na força de trabalho”, diz Machado.

“Lá fora, sem dúvida, há uma preocupação muito grande nesse sentido. O MIT [Instituto de Tecnologia de Massachusetts] tem uma força-tarefa para olhar o mercado de trabalho em países desenvolvidos e tenta inferir como será a cara do emprego no futuro”, diz o pesquisador do FGV Ibre, Fernando Veloso.

Ele ressalta que, como o mercado de trabalho muda muito rapidamente, o Brasil precisa apostar em um sistema de formação que seja mais flexível e que olhe para as oportunidades de emprego que estão surgindo. 

“Não basta que o Brasil tenha uma preocupação em formar muitas pessoas, é preciso que o governo se preocupe se elas vão ter emprego, bom salário e proteção social.”

Fonte: com informações da Folha de S.Paulo

Um estudo mostrou que brasileiros formados nas áreas de Ciência, Engenharia, Matemática e Computação–em particular as mulheres– têm dificuldade em progredir na carreira e para conseguir melhor remuneração em seu campo de formação no Brasil.
Os dados foram levantados pelos pesquisadores Cecilia Machado, Laísa Rachter, Fábio Schanaider e Mariana Stussi.
As áreas apontadas no levantamento, muito apontadas como os “empregos do futuro”, são chamadas também pela sigla em inglês STEM. 
O investimento nesses campos de formação é considerado por especialistas como um passo essencial para que o país se destaque internacionalmente nos próximos anos.
O estudo aponta que formar-se nessas áreas do conhecimento no Brasil traz um incremento salarial de 12,2% em comparação com aqueles sem diploma no campo —retorno mais modesto do que o observado em áreas mais tradicionais, como medicina (75,5%) ou direito (36,6%).
Rachter explica que os dados contemplam pessoas entre 25 e 54 anos, com alguma formação superior. As conclusões, portanto, não consideram aqueles profissionais que, mesmo sem concluir a faculdade, já começam a trabalhar na área de tecnologia.
Os pesquisadores, no entanto, reforçam que há uma heterogeneidade entre os salários de diferentes tipos de formação STEM. 
Engenheiros e arquitetos ganham, em média, retornos salariais 35% maiores que outras ocupações, enquanto a remuneração de pessoas com formação em computação e matemática são inferiores, de 4,8%.
Segundo os pesquisadores, os baixos retornos indicam que o Brasil ainda não está nesse estágio. Esses resultados colocam em questão que tipo de políticas públicas devem ser implementadas para aumentar o retorno sobre ocupações STEM em algumas áreas específicas.
No caso da formação em computação e matemática, embora os profissionais de computação costumem ser disputados e ter alta remuneração, as outras profissões deste subgrupo acabam puxando para baixo a remuneração, explica Rachter.
“Alguém que se forma em matemática, por exemplo, costuma ter duas trajetórias de carreira distintas: pode trabalhar em matemática aplicada, programação, trabalhar em fintechs e ciências de dados ou pode ir para o magistério, em que o salário é muito menor”, diz.
“As mulheres com essa formação têm maior probabilidade de atuar em educação e saúde, o que contribui para uma remuneração menor delas”, acrescenta Rachter.
No entanto, o campo de graduação de computação e matemática deve desempenhar um papel crucial na revolução da automação e da inteligência artificial ​​nas economias avançadas.
“O mercado de trabalho é muito dinâmico e responde rapidamente aos ciclos econômicos, as empresas se adaptam aos novos tempos, mas acaba levando mais tempo para que a formação dos profissionais se adapte”, diz a economista-chefe do Banco BOCOM BBM, professora da EPGE – FGV (Escola Brasileira de Economia e Finanças, da Fundação Getulio Vargas) e colunista da Folha, Cecilia Machado.
O estudo também acompanhou, a partir de dados do Censo de 2010, até que ponto a formação nessas áreas tecnológicas garante que o diplomado consiga um emprego nelas e o resultado foi decepcionante.
A maior parte dos homens formados nas áreas STEM acabou trabalhando em empregos que não estão relacionados à formação e só um terço deles (33%) atuava nos chamados “empregos do futuro”.
Entre as profissionais mulheres, essa participação é ainda menor: apenas 20% das formadas nessas áreas trabalhavam em profissões relacionadas.
Os pesquisadores observam que o sucesso do diplomado no mercado de trabalho também é resultado de várias decisões ao longo da carreira. Mas dado o número de pessoas com formações STEM que não necessariamente vão trabalhar nesse campo, realidade que também é pior entre as mulheres, parece haver um desperdício de formação nessas áreas.
“Um dos grandes desafios para atrair mulheres é romper os preconceitos de gênero, de que mulher não gosta de matemática, por exemplo. A menor participação delas acaba sendo reforçada por vícios culturais”, lembra Machado.
Da mesma forma, o percentual de homens sem formação nessas áreas e que mesmo assim atuam em empregos tipo STEM é maior do que o das mulheres na mesma condição —de 6% para eles, ante 2% para elas.
Segundo Machado, isso também pode ser um reflexo de questões de gênero. “Os homens tendem a ser mais estimulados a desenvolver habilidades de uso de tecnologias e de matemática, considerando-se os investimentos que são feitos neles ao longo da vida.”
Na comparação internacional, os pesquisadores lembram que o setor de tecnologia no Brasil é menor tanto em quantidade de pessoas atuando, em termos absolutos, quanto em termos relativos, na proporção desses profissionais na força de trabalho.
A presença desses profissionais é inferior na comparação com países como Estados Unidos e Canadá. No terceiro trimestre do ano passado, o número de trabalhadores em funções STEM era de 1,5 milhão, ou 2% dos empregos, segundo outro estudo publicado pelos quatro pesquisadores. Enquanto isso, na economia norte-americana, 10 milhões (7%) ocupam essas funções.
“O potencial de crescimento no Brasil e no mundo é grande, essas parecem ser realmente profissões do futuro com melhores perspectivas salariais, mas na parte tecnológica, não estamos tão à frente quanto os países desenvolvidos. E quanto mais trabalhadores STEM um país tem, mais ele consegue absorvê-los na força de trabalho”, diz Machado.
“Lá fora, sem dúvida, há uma preocupação muito grande nesse sentido. O MIT [Instituto de Tecnologia de Massachusetts] tem uma força-tarefa para olhar o mercado de trabalho em países desenvolvidos e tenta inferir como será a cara do emprego no futuro”, diz o pesquisador do FGV Ibre, Fernando Veloso.
Ele ressalta que, como o mercado de trabalho muda muito rapidamente, o Brasil precisa apostar em um sistema de formação que seja mais flexível e que olhe para as oportunidades de emprego que estão surgindo. 
“Não basta que o Brasil tenha uma preocupação em formar muitas pessoas, é preciso que o governo se preocupe se elas vão ter emprego, bom salário e proteção social.”
Fonte: com informações da Folha de S.Paulo
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