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FRAUDE CONTÁBIL
12/05/2022 17:30:02
6,1 mil acessos
As fraudes contábeis do Batman Pixabay

No universo da ficção, poucas figuras são tão conhecidas quanto o Batman, super-herói da DC Comics, criado por Bill Finger e Bob Gale em 1939.

Uma das características mais conhecidas do personagem é o fato de que, ao contrário da grande maioria dos protagonistas de histórias em quadrinhos, ele não tem superpoderes.

Batman não tem super força, não sabe voar, nem dispara raio pelos olhos. O seu diferencial para uma pessoa comum está basicamente no seu árduo treinamento e inteligência, além, é claro, de uma fortuna gigantesca, a qual permite comprar os melhores e mais modernos equipamentos de combate ao crime.

Estima-se que o patrimônio de Bruce Wayne, alter ego do Batman, seja em torno de US$ 100 bilhões. No entanto, o que muita gente não sabe é que, como acontece com muitos bilionários da vida real, a maior parte desse valor não está em ativos de alta liquidez, mas sim em ações da sua empresa, a Wayne Enterprises.

É exatamente aí que entra uma das maiores fraudes contábeis cometidas por um herói de histórias em quadrinhos.

É claro que suas ações garantem a Bruce Wayne dividendos e outras remunerações gordas o suficiente para viver de forma muito confortável. Entretanto, as suas atividades como vigilante mascarado consomem muito, muito dinheiro.

Os custos anuais para manter a Batcaverna, o Batmóvel, a Batwing e outras centenas de “batbugigangas” funcionando ultrapassariam em muito o que Bruce teria direito como acionista.

Nas Histórias em Quadrinhos, para solucionar esse problema, Bruce passou então a utilizar dinheiro da própria Wayne Enterprises para financiar as suas atividades como Batman, utilizando empresas de fachada para emitir notas frias e justificar a saída de recursos da companhia.

Em poucas palavras, o maior super-herói de todos os tempos montou uma rede gigante de fraude contábil para desviar dinheiro da sua própria empresa.

O público em geral pode até pensar que essa manobra contabilística não seria nada demais, afinal de contas, Bruce Wayne é sócio majoritário da Wayne Enterprises, então, supostamente, ele estaria “roubando” dele mesmo.

Porém é importante lembrar que, segundo o próprio Postulado Contábil da Entidade, o patrimônio da Pessoa Jurídica não se confunde com os patrimônios pessoais dos seus sócios.

Da mesma forma que, por exemplo, o sócio de um pequeno comércio não deve usar o dinheiro do caixa para pagar as contas da sua residência ou a escola dos seus filhos, Bruce Wayne não poderia investir recursos da sua empresa para custear suas atividades como vigilante.

São entidades diferentes, portanto têm patrimônios diferentes. Se Bruce quer se fantasiar de morcego e combater o crime, ele teria que fazer apenas com o valor a que teria direito a título de dividendos ou mesmo pró-labore ou juros sobre capital próprio.

Para piorar ainda mais, é importante lembrar que, no universo dos quadrinhos, embora Bruce seja o sócio majoritário, a Wayne Enterprises é uma companhia de capital aberto, que comercializa ações na bolsa de valores.

Com certeza não é pequena a quantidade de acionistas que tiveram os seus dividendos reduzidos porque o Batman precisou usar dinheiro da empresa para construir uma base nova para a Liga da Justiça no espaço ou comprar um lança-chamas novo para o Batmóvel. Tudo contabilizado com despesas faltas, usando notas frias e negócios de fachada.

Portanto, apesar de salvar diariamente a cidade de Gotham dos mais perversos criminosos, Batman possui também alguns crimes contábeis dele próprio para prestar contas. Bruce Wayne precisa torcer muito para que o Coringa ou o Charada não decidam se especializar em Auditoria, ou estará em uma situação muito comprometedora.

Brincadeiras à parte, é sempre importante lembrar que não se deve misturar o patrimônio da empresa com o de seus proprietários.

Essa é uma das principais bases científicas da Contabilidade e a sua observância é muito importante para evitar comprometer o caixa da empresa, além de evitar desvios e fraudes.

Portanto, pelo menos no que diz respeito à gestão contábil e patrimonial do seu negócio, não seja igual ao Batman!

No universo da ficção, poucas figuras são tão conhecidas quanto o Batman, super-herói da DC Comics, criado por Bill Finger e Bob Gale em 1939.
Uma das características mais conhecidas do personagem é o fato de que, ao contrário da grande maioria dos protagonistas de histórias em quadrinhos, ele não tem superpoderes.
Batman não tem super força, não sabe voar, nem dispara raio pelos olhos. O seu diferencial para uma pessoa comum está basicamente no seu árduo treinamento e inteligência, além, é claro, de uma fortuna gigantesca, a qual permite comprar os melhores e mais modernos equipamentos de combate ao crime.
Estima-se que o patrimônio de Bruce Wayne, alter ego do Batman, seja em torno de US$ 100 bilhões. No entanto, o que muita gente não sabe é que, como acontece com muitos bilionários da vida real, a maior parte desse valor não está em ativos de alta liquidez, mas sim em ações da sua empresa, a Wayne Enterprises.
É exatamente aí que entra uma das maiores fraudes contábeis cometidas por um herói de histórias em quadrinhos.
É claro que suas ações garantem a Bruce Wayne dividendos e outras remunerações gordas o suficiente para viver de forma muito confortável. Entretanto, as suas atividades como vigilante mascarado consomem muito, muito dinheiro.
Os custos anuais para manter a Batcaverna, o Batmóvel, a Batwing e outras centenas de “batbugigangas” funcionando ultrapassariam em muito o que Bruce teria direito como acionista.
Nas Histórias em Quadrinhos, para solucionar esse problema, Bruce passou então a utilizar dinheiro da própria Wayne Enterprises para financiar as suas atividades como Batman, utilizando empresas de fachada para emitir notas frias e justificar a saída de recursos da companhia.
Em poucas palavras, o maior super-herói de todos os tempos montou uma rede gigante de fraude contábil para desviar dinheiro da sua própria empresa.
O público em geral pode até pensar que essa manobra contabilística não seria nada demais, afinal de contas, Bruce Wayne é sócio majoritário da Wayne Enterprises, então, supostamente, ele estaria “roubando” dele mesmo.
Porém é importante lembrar que, segundo o próprio Postulado Contábil da Entidade, o patrimônio da Pessoa Jurídica não se confunde com os patrimônios pessoais dos seus sócios.
Da mesma forma que, por exemplo, o sócio de um pequeno comércio não deve usar o dinheiro do caixa para pagar as contas da sua residência ou a escola dos seus filhos, Bruce Wayne não poderia investir recursos da sua empresa para custear suas atividades como vigilante.
São entidades diferentes, portanto têm patrimônios diferentes. Se Bruce quer se fantasiar de morcego e combater o crime, ele teria que fazer apenas com o valor a que teria direito a título de dividendos ou mesmo pró-labore ou juros sobre capital próprio.
Para piorar ainda mais, é importante lembrar que, no universo dos quadrinhos, embora Bruce seja o sócio majoritário, a Wayne Enterprises é uma companhia de capital aberto, que comercializa ações na bolsa de valores.
Com certeza não é pequena a quantidade de acionistas que tiveram os seus dividendos reduzidos porque o Batman precisou usar dinheiro da empresa para construir uma base nova para a Liga da Justiça no espaço ou comprar um lança-chamas novo para o Batmóvel. Tudo contabilizado com despesas faltas, usando notas frias e negócios de fachada.
Portanto, apesar de salvar diariamente a cidade de Gotham dos mais perversos criminosos, Batman possui também alguns crimes contábeis dele próprio para prestar contas. Bruce Wayne precisa torcer muito para que o Coringa ou o Charada não decidam se especializar em Auditoria, ou estará em uma situação muito comprometedora.
Brincadeiras à parte, é sempre importante lembrar que não se deve misturar o patrimônio da empresa com o de seus proprietários.
Essa é uma das principais bases científicas da Contabilidade e a sua observância é muito importante para evitar comprometer o caixa da empresa, além de evitar desvios e fraudes.
Portanto, pelo menos no que diz respeito à gestão contábil e patrimonial do seu negócio, não seja igual ao Batman!
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Contador, professor universitário, Mestrando em International Business pela Must University (Flórida-EUA), possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV (São Paulo – Brasil) e certificação internacional pela Universidade de Harvard (Massachusetts-EUA) e Disney Institute (Flórida-EUA). É sócio do escritório Belconta – Belém Contabilidade e do Portal Neo Ensino, autor de livros e dezenas de artigos na área contábil, empresarial e educacional, ganhador de prêmio acadêmico outorgado pelo CRCPA, palestrante, consultor editorial da Revista Contadores Belém-Pará, membro da Associação Científica Internacional Neopatrimonialista – ACIN..
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