O Fórum Contábeis reúne o maior acervo de conteúdo contábil atualizado e com discussães que promovem um crescimento em geral de toda a comunidade contábil. Conheça e comece a fazer parte da nossa comunidade!
Veja quais tópicos são os mais discutidos nos últimos 10 dias.
Veja em tempo real, os últimos tópicos postados no fórum.
Contribua interagindo com tópicos não respondidos.
Utilize nossas editorias para se informar com um conteúdo atualizado diariamente e diretamente voltado para seu interesse. No portal contábeis você tem a certeza de que pode encontrar o suporte de informação necessário para voce ter ainda mais sucesso profissional.
Envie sua matéria, publique seu artigo e compartilhe com milhares de visitantes todos os dias.
Nossos especialistas discutem os assuntos mais relevantes da atualidade.
Ferramentas que ajudam o profissional contábil, empreendedores e acadêmicos
Encontre o anexo e calcule a alíquota da atividade de sua empresa através da descrição ou do CNAE.
O portal contábeis é feito para profissionais como você, que procuram informação de qualidade e uma comunidade ativa e pronta para discutir, opinar e participar de tudo o que envolve o mundo contábil.
Compartilhe seu conhecimento para visitantes todos os dias.
ARTIGO DE ECONOMIA
09/06/2023 13:30:20
PIB agrada, mas preocupa

Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre deste ano. O resultado surpreendeu os analistas: crescimento de 1,9%, ante o último trimestre de 2022, e alta ainda mais expressiva em relação ao mesmo período do ano anterior (4%). 

Diante disso, em quatro trimestres, o PIB apontou alta de 3,3% e já sente um efeito de carregamento de 2,5% — ou seja, se a partir de agora, na margem, o PIB não expandir mais, o ano ainda assim terminaria com crescimento de 2,5%.

Muito desse desenvolvimento vem da melhoria do mercado de trabalho no ano passado e de políticas voltadas ao lado da oferta, ou seja, da tentativa de melhorar a produtividade na economia e de evitar “esticar a corda” da demanda, em um ambiente pressionado pela alta da inflação. 

Sendo assim, a economia é inconteste: só existe uma maneira de alavancar o crescimento sustentável e contínuo do PIB — o incremento da produtividade. Desde os anos 1980, o Brasil tem estancado a promoção da sua produtividade, resultando em anos trágicos quanto a emprego e renda. 

Para se ter uma ideia da situação, quem acredita que vivemos uma década perdida 40 anos atrás se assustaria ao se deparar com a revelação trágica de que, entre 2011 e 2020, houve expansão média três vezes menor do que a registrada entre 1981 e 1990.

Certo, mas quais são as políticas públicas ideais para o incremento da produtividade?  Uma delas é a estabilidade político-econômica: Banco Central (Bacen) independente e sem pressão, estabilidade institucional e equilíbrio público são benéficos ao investimento em bens de capital e à melhoria da produtividade. Sem inflação controlada, cenário político apaziguado e equilíbrio institucional não existem possibilidades de progresso.

Outra política importante: abertura comercial. Devemos possibilitar às empresas a importação das melhores tecnologias sem custos exorbitantes, já que o câmbio ainda não está muito favorável. 

Além disso, conferir abertura gradual aos mercados mundiais para que esses negócios se incentivem a investir. Aqui, algum tipo de facilitação de compras de bens de capital pode ser útil, desde que atrelada a compromissos de produtividade e exportação. 

Nessa lista, também podemos incluir o incremento do ambiente de negócios para facilitar a vida do empresário. Por exemplo, antes de pensar em ampla Reforma Tributária, que tal simplificar o pagamento dos impostos? Direito à propriedade e segurança jurídica são igualmente essenciais. Investimento em educação, pesquisa e desenvolvimento ainda pode entrar na conta.

Com tudo isso em mente, causa-nos certa agonia as medidas que vêm sendo estudadas: apoio ao crédito pessoal, incentivos pontuais a determinados segmentos sem nenhum critério e volta do fornecimento de crédito subsidiado de grandes bancos, comerciais e de investimento. Isso sem contar as críticas veladas de muitos setores (e do governo) ao Bacen, exatamente o que não se deve fazer em casos de pressão de demanda, pois só ameaça os custos e a inflação, sem contrapartida em produto e PIB.

Os números do primeiro trimestre dão base a essas aflições. A formação bruta de capital fixo, que inclui o investimento, chegou a 17,7% do PIB, ante 18,4% do mesmo período do ano anterior. Na margem, em comparação ao último trimestre do ano anterior, caiu 3,4%. Recursos menores significam menos produtividade e menos crescimento de longo prazo. Além disso, do 1,9% desse avanço, nada menos que 1,6% vem da agropecuária, setor constantemente criticado pelo governo.

Em suma, o PIB, apesar de positivo, dá um claro sinal de alerta para o futuro. Se as políticas públicas de incentivo não forem urgentemente modificadas, pagaremos caro em termos de desenvolvimento, emprego e renda. Felizmente, ainda dá tempo de mudar isso.

Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre deste ano. O resultado surpreendeu os analistas: crescimento de 1,9%, ante o último trimestre de 2022, e alta ainda mais expressiva em relação ao mesmo período do ano anterior (4%). 
Diante disso, em quatro trimestres, o PIB apontou alta de 3,3% e já sente um efeito de carregamento de 2,5% — ou seja, se a partir de agora, na margem, o PIB não expandir mais, o ano ainda assim terminaria com crescimento de 2,5%.
Muito desse desenvolvimento vem da melhoria do mercado de trabalho no ano passado e de políticas voltadas ao lado da oferta, ou seja, da tentativa de melhorar a produtividade na economia e de evitar “esticar a corda” da demanda, em um ambiente pressionado pela alta da inflação. 
Sendo assim, a economia é inconteste: só existe uma maneira de alavancar o crescimento sustentável e contínuo do PIB — o incremento da produtividade. Desde os anos 1980, o Brasil tem estancado a promoção da sua produtividade, resultando em anos trágicos quanto a emprego e renda. 
Para se ter uma ideia da situação, quem acredita que vivemos uma década perdida 40 anos atrás se assustaria ao se deparar com a revelação trágica de que, entre 2011 e 2020, houve expansão média três vezes menor do que a registrada entre 1981 e 1990.
Certo, mas quais são as políticas públicas ideais para o incremento da produtividade?  Uma delas é a estabilidade político-econômica: Banco Central (Bacen) independente e sem pressão, estabilidade institucional e equilíbrio público são benéficos ao investimento em bens de capital e à melhoria da produtividade. Sem inflação controlada, cenário político apaziguado e equilíbrio institucional não existem possibilidades de progresso.
Outra política importante: abertura comercial. Devemos possibilitar às empresas a importação das melhores tecnologias sem custos exorbitantes, já que o câmbio ainda não está muito favorável. 
Além disso, conferir abertura gradual aos mercados mundiais para que esses negócios se incentivem a investir. Aqui, algum tipo de facilitação de compras de bens de capital pode ser útil, desde que atrelada a compromissos de produtividade e exportação. 
Nessa lista, também podemos incluir o incremento do ambiente de negócios para facilitar a vida do empresário. Por exemplo, antes de pensar em ampla Reforma Tributária, que tal simplificar o pagamento dos impostos? Direito à propriedade e segurança jurídica são igualmente essenciais. Investimento em educação, pesquisa e desenvolvimento ainda pode entrar na conta.
Com tudo isso em mente, causa-nos certa agonia as medidas que vêm sendo estudadas: apoio ao crédito pessoal, incentivos pontuais a determinados segmentos sem nenhum critério e volta do fornecimento de crédito subsidiado de grandes bancos, comerciais e de investimento. Isso sem contar as críticas veladas de muitos setores (e do governo) ao Bacen, exatamente o que não se deve fazer em casos de pressão de demanda, pois só ameaça os custos e a inflação, sem contrapartida em produto e PIB.
Os números do primeiro trimestre dão base a essas aflições. A formação bruta de capital fixo, que inclui o investimento, chegou a 17,7% do PIB, ante 18,4% do mesmo período do ano anterior. Na margem, em comparação ao último trimestre do ano anterior, caiu 3,4%. Recursos menores significam menos produtividade e menos crescimento de longo prazo. Além disso, do 1,9% desse avanço, nada menos que 1,6% vem da agropecuária, setor constantemente criticado pelo governo.
Em suma, o PIB, apesar de positivo, dá um claro sinal de alerta para o futuro. Se as políticas públicas de incentivo não forem urgentemente modificadas, pagaremos caro em termos de desenvolvimento, emprego e renda. Felizmente, ainda dá tempo de mudar isso.
Receba notícias no seu e-mail
Leia mais sobre
Publicado por
Economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e membro do Conselho de Economia Empresarial e Política da mesma instituição. PhD em Economia, Relações Governamentais e Ambiente de negócios, também é professor do MBA da FIA-USP
ARTICULISTAS CONTÁBEIS
ARTICULISTAS CONTÁBEIS
Agradecemos a sua preferência e enviaremos de forma personalizada os conteúdos que você selecionou!
Tributário
Trabalhista
Contábil
Empresarial
Previdência
Economia
Carreira
Tecnologia
Concordo com a Política de Proteção de Dados e Privacidade
RSS
O Portal Contábeis se isenta de quaisquer responsabilidades civis sobre eventuais discussões dos usuários ou visitantes deste site, nos termos da lei no 5.250/67 e artigos 927 e 931 ambos do novo código civil brasileiro.

source