O Fórum Contábeis reúne o maior acervo de conteúdo contábil atualizado e com discussães que promovem um crescimento em geral de toda a comunidade contábil. Conheça e comece a fazer parte da nossa comunidade!
Veja quais tópicos são os mais discutidos nos últimos 10 dias.
Veja em tempo real, os últimos tópicos postados no fórum.
Contribua interagindo com tópicos não respondidos.
Utilize nossas editorias para se informar com um conteúdo atualizado diariamente e diretamente voltado para seu interesse. No portal contábeis você tem a certeza de que pode encontrar o suporte de informação necessário para voce ter ainda mais sucesso profissional.
Envie sua matéria, publique seu artigo e compartilhe com milhares de visitantes todos os dias.
Nossos especialistas discutem os assuntos mais relevantes da atualidade.
Ferramentas que ajudam o profissional contábil, empreendedores e acadêmicos
Encontre o anexo e calcule a alíquota da atividade de sua empresa através da descrição ou do CNAE.
O portal contábeis é feito para profissionais como você, que procuram informação de qualidade e uma comunidade ativa e pronta para discutir, opinar e participar de tudo o que envolve o mundo contábil.
Compartilhe seu conhecimento para visitantes todos os dias.
ARTIGO DE ECONOMIA
14/07/2022 13:30:01
1,9 mil acessos
Pexels
Os números divulgados, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sobre a produção industrial de maio seguem mostrando um setor incapaz de se desenvolver no Brasil. O crescimento, quase nulo (0,3%), não foi suficiente nem ao menos para tirar o ano do vermelho.
Em 2022, já acumula queda de 2,6%; assim, não consegue sequer voltar ao nível pré-pandemia. Um valor mais assustador mostra que estamos praticamente 20% menores do que durante o pico do setor, em 2013-2014.
Além disso, 13 dos 26 setores industriais ainda estão abaixo do nível pré-pandemia. Por exemplo, o de móveis (-23%); o de vestuário (-19%); e o de veículos (-14%).
Sabemos que muito da queda recente se deve a fatores conjunturais: a inflação, que consome a renda real do trabalhador, que ainda enfrenta um mercado de trabalho muito difícil e não consegue obter ganhos consistentes para consumir; a taxa de juros subindo, que, no caso da indústria, afeta tanto pelo lado da demanda (consumidor gasta menos) quanto pelo lado da oferta, pois os financiamentos para produção ficam mais caros; e, finalmente, a desconstrução total das cadeias de produção mundiais causada pela briga entre Estados Unidos e China, pela guerra da Ucrânia e pela diretriz “Covid Zero”, no gigante asiático. Assim, no curto e no médio prazos, as indústrias nacionais vivem, de fato, um cenário complexo.
Entretanto, a queda do setor não é de agora, mas estrutural. Já vem de décadas. A participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu de 27,4% para 20,5%, entre 2010 e 2020. Em outubro de 2021, o PIB industrial estava 14% menor do que no início de 2014, segundo o Monitor do PIB, da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Portanto, os dados suscitam a discussão generalizada a respeito do que pode ser feito para tentar reverter o quadro. A primeira constatação é que não há solução no curto prazo. Assim como a desvalorização artificial do câmbio e subsídios ou incentivos fiscais não mudarão a conjuntura no longo prazo.
São três os principais pontos de atenção na construção de uma política de recuperação da indústria para um futuro distante:
- Inserção nas cadeias de produção mundiais;
- Melhoria geral no ambiente de negócios;
- Investimentos e desenvolvimento da alocação dos recursos na área de Educação.
O primeiro passo se resume a uma abertura gradual da economia brasileira para produtos estrangeiros, com diminuição das tarifas de importação e incentivos à exportação. Se continuar fechada, a indústria não terá concorrentes externos – e, consequentemente, haverá pouco incentivo à inovação. Além disso, a abertura barateia a compra de insumos e máquinas estrangeiras de primeira linha, facilitando o investimento e a produtividade.
A segunda ação precisa dar conta de um emaranhado de problemas consagrados que estrangulam o empresariado, dentre eles, as dificuldades para pagar impostos, abrir (e fechar) empresas e conseguir crédito, além de outras incertezas jurídicas típicas de um mercado de trabalho engessado e inseguro. Tudo isso deve ser o objetivo de um governo interessado em favorecer o setor industrial. Reformas são necessárias e urgentes.
E, enfim, como último ponto, temos a educação: favorecer os ensinos básico/técnico e a digitalização, propor melhores condições para os professores e valorizar os profissionais mais bem-preparados são condições básicas para o desenvolvimento almejado. Sem melhoria na produtividade não há indústria forte.
Este é um plano para muitos anos. Não há solução fácil, nem rápida. Tudo demandará muito trabalho e vontade política. O resto é só populismo.
Os números divulgados, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sobre a produção industrial de maio seguem mostrando um setor incapaz de se desenvolver no Brasil. O crescimento, quase nulo (0,3%), não foi suficiente nem ao menos para tirar o ano do vermelho.
Em 2022, já acumula queda de 2,6%; assim, não consegue sequer voltar ao nível pré-pandemia. Um valor mais assustador mostra que estamos praticamente 20% menores do que durante o pico do setor, em 2013-2014.
Além disso, 13 dos 26 setores industriais ainda estão abaixo do nível pré-pandemia. Por exemplo, o de móveis (-23%); o de vestuário (-19%); e o de veículos (-14%).
Sabemos que muito da queda recente se deve a fatores conjunturais: a inflação, que consome a renda real do trabalhador, que ainda enfrenta um mercado de trabalho muito difícil e não consegue obter ganhos consistentes para consumir; a taxa de juros subindo, que, no caso da indústria, afeta tanto pelo lado da demanda (consumidor gasta menos) quanto pelo lado da oferta, pois os financiamentos para produção ficam mais caros; e, finalmente, a desconstrução total das cadeias de produção mundiais causada pela briga entre Estados Unidos e China, pela guerra da Ucrânia e pela diretriz “Covid Zero”, no gigante asiático. Assim, no curto e no médio prazos, as indústrias nacionais vivem, de fato, um cenário complexo.
Entretanto, a queda do setor não é de agora, mas estrutural. Já vem de décadas. A participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu de 27,4% para 20,5%, entre 2010 e 2020. Em outubro de 2021, o PIB industrial estava 14% menor do que no início de 2014, segundo o Monitor do PIB, da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Portanto, os dados suscitam a discussão generalizada a respeito do que pode ser feito para tentar reverter o quadro. A primeira constatação é que não há solução no curto prazo. Assim como a desvalorização artificial do câmbio e subsídios ou incentivos fiscais não mudarão a conjuntura no longo prazo.
São três os principais pontos de atenção na construção de uma política de recuperação da indústria para um futuro distante:
O primeiro passo se resume a uma abertura gradual da economia brasileira para produtos estrangeiros, com diminuição das tarifas de importação e incentivos à exportação. Se continuar fechada, a indústria não terá concorrentes externos – e, consequentemente, haverá pouco incentivo à inovação. Além disso, a abertura barateia a compra de insumos e máquinas estrangeiras de primeira linha, facilitando o investimento e a produtividade.
A segunda ação precisa dar conta de um emaranhado de problemas consagrados que estrangulam o empresariado, dentre eles, as dificuldades para pagar impostos, abrir (e fechar) empresas e conseguir crédito, além de outras incertezas jurídicas típicas de um mercado de trabalho engessado e inseguro. Tudo isso deve ser o objetivo de um governo interessado em favorecer o setor industrial. Reformas são necessárias e urgentes.
E, enfim, como último ponto, temos a educação: favorecer os ensinos básico/técnico e a digitalização, propor melhores condições para os professores e valorizar os profissionais mais bem-preparados são condições básicas para o desenvolvimento almejado. Sem melhoria na produtividade não há indústria forte.
Este é um plano para muitos anos. Não há solução fácil, nem rápida. Tudo demandará muito trabalho e vontade política. O resto é só populismo.
CONBCON 2022: Inscrições abertas do Congresso de Contabilidade
Publicado por
Economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e membro do Conselho de Economia Empresarial e Política da mesma instituição. PhD em Economia, Relações Governamentais e Ambiente de negócios, também é professor do MBA da FIA-USP
RSS
O Portal Contábeis se isenta de quaisquer responsabilidades civis sobre eventuais discussões dos usuários ou visitantes deste site, nos termos da lei no 5.250/67 e artigos 927 e 931 ambos do novo código civil brasileiro.