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ARTIGO DE ECONOMIA
19/05/2022 13:40:01
2 mil acessos
A saga continua: o cenário inflacionário veio para ficar Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Na semana passada, falamos aqui sobre a dificuldade que os bancos centrais enfrentam no combate à inflação. 

Alguns, como o Federal Reserve (FED), dos Estados Unidos, estão subestimando o problema. A situação realmente parece assolar o mundo todo. 

As divulgações das inflações oficiais brasileira, chinesa e norte-americana só corroboram o problema. Está claro, por vários motivos, que o excesso de liquidez dos países desenvolvidos começa a cobrar o seu custo.

No Brasil, a divulgação do Índice de preços de consumidor Amplo (IPCA), produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicou crescimentos de 1,06%, no mês de abril, e inacreditáveis 12,13%, em 12 meses. 

Ainda que este número esteja um pouco abaixo das expectativas, traz notícias não muito animadoras sobre o futuro da inflação. 

Uma delas diz respeito ao índice de difusão que mede a proporção de bens e atividades que registraram alta de preços, o qual atingiu 78,2%, recorde desde janeiro de 2003. Isso significa que 8 a cada 10 produtos pesquisados estão mais caros, ou seja, a inflação está completamente disseminada na economia. 

Tal fato se confirma ao analisarmos os setores isoladamente: alimentos e bebidas subiu 2,06%, no mês, e 16%, em um ano; assim como roupas, com 1,54% e 15,7%, respectivamente; e transportes, com 1,91% e 19,7%. 

O índice só não foi maior porque a energia caiu 6,21% e o setor de serviços ainda não teve os custos majorados.

Os juros devem continuar subindo, pois o Banco Central (Bacen) vem fazendo um bom trabalho na política monetária. Além disso, o mercado de trabalho no País ainda se mostra bem fraco.

Nos Estados Unidos, os dados da inflação são muito semelhantes aos brasileiros. Apesar de o número anual de abril (8,3%) ter sido menor do que o apurado em março (8,5%), a diferença, mais uma vez, foi causada por quedas no preço da energia.

O core inflation, os preços menos voláteis e que baseiam as decisões de política financeira, ainda estão em 6,2%, muito acima da meta estabelecida. 

Naquele país, existe um processo muito perigoso: a inflação, que está afetando os serviços, começa a contaminar os salários e os preços em geral. 

Como o FED tem agido com muita condescendência diante de todo o contexto, os salários reais já estão se deteriorando. Resultado: o processo de aumento de juros terá de ser maior, a fim de debelar a inflação, ainda mais num país onde o mercado de trabalho está muito aquecido.

Na China, a despeito de a inflação ao consumidor estar em nível muito menor (2,1% ao ano), vem crescendo consistentemente. Além disso, o índice de preços ao produtor ainda está muito alto – 8% em 12 meses. A invasão da Ucrânia pela Rússia e a política de Covid Zero podem piorar o quadro.

De toda esta conjuntura, podemos tirar uma lição: o mundo não será mais fluido como antes. Não teremos capitais em abundância flutuando em quantidade suficiente para evitar problemas de financiamento e balanço de pagamentos. 

Viveremos uma realidade mais restrita, com menos liquidez, juros maiores e dólares voltando aos Estados Unidos – que, mais cedo ou mais tarde, aumentarão os retornos nos títulos de renda fixa. 

A tendência é, decerto, de um cenário em que crescer se tornará mais difícil, infelizmente.

Na semana passada, falamos aqui sobre a dificuldade que os bancos centrais enfrentam no combate à inflação. 
Alguns, como o Federal Reserve (FED), dos Estados Unidos, estão subestimando o problema. A situação realmente parece assolar o mundo todo. 
As divulgações das inflações oficiais brasileira, chinesa e norte-americana só corroboram o problema. Está claro, por vários motivos, que o excesso de liquidez dos países desenvolvidos começa a cobrar o seu custo.
No Brasil, a divulgação do Índice de preços de consumidor Amplo (IPCA), produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicou crescimentos de 1,06%, no mês de abril, e inacreditáveis 12,13%, em 12 meses. 
Ainda que este número esteja um pouco abaixo das expectativas, traz notícias não muito animadoras sobre o futuro da inflação. 
Uma delas diz respeito ao índice de difusão que mede a proporção de bens e atividades que registraram alta de preços, o qual atingiu 78,2%, recorde desde janeiro de 2003. Isso significa que 8 a cada 10 produtos pesquisados estão mais caros, ou seja, a inflação está completamente disseminada na economia. 
Tal fato se confirma ao analisarmos os setores isoladamente: alimentos e bebidas subiu 2,06%, no mês, e 16%, em um ano; assim como roupas, com 1,54% e 15,7%, respectivamente; e transportes, com 1,91% e 19,7%. 
O índice só não foi maior porque a energia caiu 6,21% e o setor de serviços ainda não teve os custos majorados.
Os juros devem continuar subindo, pois o Banco Central (Bacen) vem fazendo um bom trabalho na política monetária. Além disso, o mercado de trabalho no País ainda se mostra bem fraco.
Nos Estados Unidos, os dados da inflação são muito semelhantes aos brasileiros. Apesar de o número anual de abril (8,3%) ter sido menor do que o apurado em março (8,5%), a diferença, mais uma vez, foi causada por quedas no preço da energia.
O core inflation, os preços menos voláteis e que baseiam as decisões de política financeira, ainda estão em 6,2%, muito acima da meta estabelecida. 
Naquele país, existe um processo muito perigoso: a inflação, que está afetando os serviços, começa a contaminar os salários e os preços em geral. 
Como o FED tem agido com muita condescendência diante de todo o contexto, os salários reais já estão se deteriorando. Resultado: o processo de aumento de juros terá de ser maior, a fim de debelar a inflação, ainda mais num país onde o mercado de trabalho está muito aquecido.
Na China, a despeito de a inflação ao consumidor estar em nível muito menor (2,1% ao ano), vem crescendo consistentemente. Além disso, o índice de preços ao produtor ainda está muito alto – 8% em 12 meses. A invasão da Ucrânia pela Rússia e a política de Covid Zero podem piorar o quadro.
De toda esta conjuntura, podemos tirar uma lição: o mundo não será mais fluido como antes. Não teremos capitais em abundância flutuando em quantidade suficiente para evitar problemas de financiamento e balanço de pagamentos. 
Viveremos uma realidade mais restrita, com menos liquidez, juros maiores e dólares voltando aos Estados Unidos – que, mais cedo ou mais tarde, aumentarão os retornos nos títulos de renda fixa. 
A tendência é, decerto, de um cenário em que crescer se tornará mais difícil, infelizmente.
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Publicado por
Economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e membro do Conselho de Economia Empresarial e Política da mesma instituição. PhD em Economia, Relações Governamentais e Ambiente de negócios, também é professor do MBA da FIA-USP
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