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TRABALHO PRESENCIAL
08/05/2022 11:00:01
1,6 mil acessos
Pexels
Retornar ao presencial, para os brasileiros que faziam home office até o início de 2022, pode ser considerada uma boa notícia.
No entanto, para o grupo que pôde realizar as atividades profissionais de forma remota, a hora é de enfrentar altas de preços históricas e, para alguns, sentir-se mais vulnerável à criminalidade, especialmente nas grandes metrópoles.
Para a advogada Debora Moreira, moradora da capital paulista, o retorno ao escritório onde trabalhou quatro vezes por semana fará com que ela tenha uma parte menor de sua renda disponível no final do mês.
“Agora gasto três vezes mais do que antes com gasolina, pelo trajeto e preço mais alto, e como trabalho em uma região cara, no bairro da Vila Olímpia, meu vale-alimentação não é suficiente para comer todos os dias fora. Enquanto estava em casa, cozinhava e ainda sobrava para o dia seguinte, então era bem mais econômico”, comentou Debora.
Além disso, a advogada diz que sente medo de ser assaltada por ficar parada no trânsito de grandes avenidas e em faróis, como também de sofrer violência.
A advogada relata que evita assistir televisão para que os crimes não lhe causem ansiedade.
Medo da violência
O psicólogo e pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP), André Vilela Komatsu, aponta que tem acompanhado muitos relatos de trabalhadores que se sentem mais ansiosos por precisar transitar em distâncias maiores nas cidades.
“Agora voltamos a reparar em problemas sociais que sempre estiveram aí, mas muita gente não viu as transformações do espaço público por ficarem restritos a seus bairros durante a pandemia”, explica.
Entre as mudanças citadas pelo psicólogo está a intensificação de problemas sociais, com maior degradação dos espaços públicos, mais pessoas morando nas ruas e o aumento de crimes.
Ele aponta que a diminuição de assaltos durante a pandemia foi justamente por ter menos gente na rua, e agora a população já chegou em níveis semelhantes aos de antes.
Ele explica que a sensação de medo é natural e, embora não seja o ideal, é esperado que as pessoas consigam se acostumar ao menos parcialmente.
“Infelizmente, o medo de ser demitido ou de não ter onde trabalhar às vezes é maior que o medo de sofrer violência, e certamente isso causa muita ansiedade”, diz Komatsu.
Inflação no país
A prévia da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), chegou em abril a 1,73%. a maior taxa desde 1995.
Em março, o IPCA teve o maior avanço para o mês em 28 anos, com alta de 1,62%.
A economista da XP Investimentos, Tatiana Vieira, explica que “há dois fatores que agiram juntos para jogar inflação para cima durante a pandemia: estímulo muito forte por meio da transferência direta de renda do governo para as famílias e taxas de juro em uma mínima histórica – a Selic chegou a 2% ao ano e hoje já está em 11,75%”.
Para ela, isso ajudou a manter o poder de compra das famílias estável por algum tempo, mas com uma maior demanda e circulação de dinheiro, acabou elevando a inflação.
Além disso, a economista ressalta que outros acontecimentos recentes no cenário internacional também contribuíram para a alta da inflação no Brasil, por exemplo, a guerra da Rússia contra a Ucrânia que fechou portos, criou embargos importantes para Rússia e paralisou a produção em ambos os países.
Na China, o lockdown restritivo a qualquer caso de Covid-19 faz com que fábricas e portos fechem por alguns dias, deixando a comunidade global sem acesso a insumos muito importantes para produção.
Pagar caro para ir trabalhar
De todas as altas, a de combustível foi a maior. No último ano, o preço da gasolina aumentou 47%, o diesel 50% e o etanol 60%.
Os automóveis também ficaram muito caros, com aumento de 20% para carros novos e 15% para modelos usados, de acordo com o IPCA.
Para os que utilizam o transporte público, também houve aumento. O aumento da passagem de ônibus municipal foi de 1,2%, e para os intermunicipais e interestaduais, entre 1,5 e 2,5%.
Para comer, mesmo dentro de casa, o preço dos alimentos também aumentou, e a conta fica ainda mais cara em restaurantes.
Preferências dos funcionários e tendências das empresas brasileiras
O retorno parcial ao escritório com equipes reunidas até duas vezes por semana é a opção preferida pela maioria dos profissionais de grandes empresas brasileiras, de acordo com o estudo realizado pela empresa de consultoria e auditoria PwC Brasil em parceria com o PageGroup.
Para a CEO da Tribo, Stephanie Crispino, ter conhecido a possibilidade de trabalhar em sistema híbrido, não significa que as empresas necessariamente continuarão adotando o modelo, mas, em sua opinião, para os tipos de trabalho que permitem, é um passo nessa direção.
Ela conclui dizendo que “essa flexibilidade fez as lideranças e trabalhadores entenderem que a produtividade fora do escritório é possível, e nesse ponto, não há como voltar”.
Com informações da BBC News
Retornar ao presencial, para os brasileiros que faziam home office até o início de 2022, pode ser considerada uma boa notícia.
No entanto, para o grupo que pôde realizar as atividades profissionais de forma remota, a hora é de enfrentar altas de preços históricas e, para alguns, sentir-se mais vulnerável à criminalidade, especialmente nas grandes metrópoles.
Para a advogada Debora Moreira, moradora da capital paulista, o retorno ao escritório onde trabalhou quatro vezes por semana fará com que ela tenha uma parte menor de sua renda disponível no final do mês.
“Agora gasto três vezes mais do que antes com gasolina, pelo trajeto e preço mais alto, e como trabalho em uma região cara, no bairro da Vila Olímpia, meu vale-alimentação não é suficiente para comer todos os dias fora. Enquanto estava em casa, cozinhava e ainda sobrava para o dia seguinte, então era bem mais econômico”, comentou Debora.
Além disso, a advogada diz que sente medo de ser assaltada por ficar parada no trânsito de grandes avenidas e em faróis, como também de sofrer violência.
A advogada relata que evita assistir televisão para que os crimes não lhe causem ansiedade.
O psicólogo e pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP), André Vilela Komatsu, aponta que tem acompanhado muitos relatos de trabalhadores que se sentem mais ansiosos por precisar transitar em distâncias maiores nas cidades.
“Agora voltamos a reparar em problemas sociais que sempre estiveram aí, mas muita gente não viu as transformações do espaço público por ficarem restritos a seus bairros durante a pandemia”, explica.
Entre as mudanças citadas pelo psicólogo está a intensificação de problemas sociais, com maior degradação dos espaços públicos, mais pessoas morando nas ruas e o aumento de crimes.
Ele aponta que a diminuição de assaltos durante a pandemia foi justamente por ter menos gente na rua, e agora a população já chegou em níveis semelhantes aos de antes.
Ele explica que a sensação de medo é natural e, embora não seja o ideal, é esperado que as pessoas consigam se acostumar ao menos parcialmente.
“Infelizmente, o medo de ser demitido ou de não ter onde trabalhar às vezes é maior que o medo de sofrer violência, e certamente isso causa muita ansiedade”, diz Komatsu.
A prévia da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), chegou em abril a 1,73%. a maior taxa desde 1995.
Em março, o IPCA teve o maior avanço para o mês em 28 anos, com alta de 1,62%.
A economista da XP Investimentos, Tatiana Vieira, explica que “há dois fatores que agiram juntos para jogar inflação para cima durante a pandemia: estímulo muito forte por meio da transferência direta de renda do governo para as famílias e taxas de juro em uma mínima histórica – a Selic chegou a 2% ao ano e hoje já está em 11,75%”.
Para ela, isso ajudou a manter o poder de compra das famílias estável por algum tempo, mas com uma maior demanda e circulação de dinheiro, acabou elevando a inflação.
Além disso, a economista ressalta que outros acontecimentos recentes no cenário internacional também contribuíram para a alta da inflação no Brasil, por exemplo, a guerra da Rússia contra a Ucrânia que fechou portos, criou embargos importantes para Rússia e paralisou a produção em ambos os países.
Na China, o lockdown restritivo a qualquer caso de Covid-19 faz com que fábricas e portos fechem por alguns dias, deixando a comunidade global sem acesso a insumos muito importantes para produção.
De todas as altas, a de combustível foi a maior. No último ano, o preço da gasolina aumentou 47%, o diesel 50% e o etanol 60%.
Os automóveis também ficaram muito caros, com aumento de 20% para carros novos e 15% para modelos usados, de acordo com o IPCA.
Para os que utilizam o transporte público, também houve aumento. O aumento da passagem de ônibus municipal foi de 1,2%, e para os intermunicipais e interestaduais, entre 1,5 e 2,5%.
Para comer, mesmo dentro de casa, o preço dos alimentos também aumentou, e a conta fica ainda mais cara em restaurantes.
O retorno parcial ao escritório com equipes reunidas até duas vezes por semana é a opção preferida pela maioria dos profissionais de grandes empresas brasileiras, de acordo com o estudo realizado pela empresa de consultoria e auditoria PwC Brasil em parceria com o PageGroup.
Para a CEO da Tribo, Stephanie Crispino, ter conhecido a possibilidade de trabalhar em sistema híbrido, não significa que as empresas necessariamente continuarão adotando o modelo, mas, em sua opinião, para os tipos de trabalho que permitem, é um passo nessa direção.
Ela conclui dizendo que “essa flexibilidade fez as lideranças e trabalhadores entenderem que a produtividade fora do escritório é possível, e nesse ponto, não há como voltar”.
Com informações da BBC News
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