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ARTIGO DE ECONOMIA
22/07/2022 13:30:01
1,7 mil acessos
Foto: Rogério Cassimiro – MTUR
Os novos números de atividades divulgados pelo IBGE, para maio, mostram um cenário que já vínhamos esperando para o ano.
Como já analisado no último texto deste espaço, a indústria teve alta marginal de 0,3%, mas não foi o suficiente para estancar a queda em 12 meses – que, em junho, está em 1,9%, e era de 0,3% até o mês passado.
Na última semana, a divulgação de serviços apresentou leve alta de 0,9%, concentrada em serviços que ainda apresentam uma demanda reprimida, como turismo e eventos, mas desacelerando em relação ao início do ano.
O mesmo pode-se falar do varejo, que praticamente fechou estável em maio (alta de 0,1%) e concentrado em setores básicos, como hipermercado e farmácias, com grande queda de móveis e eletrodomésticos.
Esse padrão já revela uma tendência de mudança de estrutura de consumo para bens mais básicos, o que denota um empobrecimento da população, que não vê no mercado de trabalho perspectivas para, pelo menos, manter o poder de compra constante com a inflação nos níveis atuais.
Além disso, os juros altos afastam a população de produtos que necessitem de financiamentos de longo prazo. Além disso, a tendência de manutenção destas taxas por alguns meses faz com que as perspectivas de parcelas de crédito mais altas no médio prazo desestimulem a compra de bens mais caros.
Outros dados também revelam mais uma dificuldade do consumidor neste momento: o endividamento das famílias, que, embora tenha parado de crescer, ainda está em um nível muito alto.
Em junho, as dívidas atingiam 77,3% das famílias brasileiras, crescimento de 7,6 pontos percentuais, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
E o pior é a qualidade dessa dívida, pois quase 90% (exatos 86,6%) dela estão no cartão de crédito, seguido de longe por carnês (18,3%) e financiamentos de carros (10,8%). Desde o último ano, cresceu a proporção da dívida por cartão de crédito em mais de 5 pontos percentuais.
O mesmo padrão pode ser visto na inadimplência, que teve retração de 0,2%, mas ainda apresenta um alto índice, de 28,5%, ou seja, quase 1 em cada 3 famílias tem atraso em dívidas.
Dentre os dados que revelam potencial de consumo, o único que subiu foi a confiança do consumidor, medida pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O índice subiu 3,5 pontos em junho, mas depois de muitas quedas sucessivas nos últimos meses. O ICC chegou a 79 pontos, e varia de 0 a 200, tendo em 100 seu índice de neutralidade.
Isso significa que, apesar da melhora, o consumidor continua pessimista. As famílias de baixa renda puxam o indicador para baixo, mostrando que os novos incentivos ao consumo parecem não fazer efeito na intenção de compra destas famílias.
O mercado de trabalho, embora tenha mostrado melhoras nos índices de desemprego, com taxa abaixo de 10% (hoje, está em 9,8%, segundo a PNAD – IBGE) pela primeira vez desde 2016, ainda não reflete a melhora na renda real, muito castigada pela inflação alta.
Assim, o poder de consumo, principalmente dos mais pobres, está limitado a compras de bens essenciais, como mostrou a pesquisa sobre o varejo.
Outra fonte de preocupação são as taxas de juros. O Banco Central já elevou as taxas de 2% para 13,75%, mas o aumento ainda não foi refletido nas taxas ao consumidor.
O primeiro impacto deve ser sentido no setor imobiliário e de automóveis, mais sensíveis à taxa. Só depois o consumidor sentirá o efeito nos crédito diretos ou no cartão. Mais um motivo para a cautela no consumo.
As perspectivas, então, para o consumidor são de cautela e diminuição dos gastos com consumo. O cenário negativo é reforçado pelo desafio externo de aumento de juros nos EUA e pela guerra na Europa; além das maiores dificuldades para manter a renda real e lidar com o excedente de consumo, principalmente em bens duráveis e serviços.
É bem possível que o segundo semestre seja mais restrito que o primeiro, e isso demanda uma posição mais conservadora do consumidor. Esperamos, assim, um crescimento mais brando da economia brasileira no ano fechado de 2022.
Os novos números de atividades divulgados pelo IBGE, para maio, mostram um cenário que já vínhamos esperando para o ano.
Como já analisado no último texto deste espaço, a indústria teve alta marginal de 0,3%, mas não foi o suficiente para estancar a queda em 12 meses – que, em junho, está em 1,9%, e era de 0,3% até o mês passado.
Na última semana, a divulgação de serviços apresentou leve alta de 0,9%, concentrada em serviços que ainda apresentam uma demanda reprimida, como turismo e eventos, mas desacelerando em relação ao início do ano.
O mesmo pode-se falar do varejo, que praticamente fechou estável em maio (alta de 0,1%) e concentrado em setores básicos, como hipermercado e farmácias, com grande queda de móveis e eletrodomésticos.
Esse padrão já revela uma tendência de mudança de estrutura de consumo para bens mais básicos, o que denota um empobrecimento da população, que não vê no mercado de trabalho perspectivas para, pelo menos, manter o poder de compra constante com a inflação nos níveis atuais.
Além disso, os juros altos afastam a população de produtos que necessitem de financiamentos de longo prazo. Além disso, a tendência de manutenção destas taxas por alguns meses faz com que as perspectivas de parcelas de crédito mais altas no médio prazo desestimulem a compra de bens mais caros.
Outros dados também revelam mais uma dificuldade do consumidor neste momento: o endividamento das famílias, que, embora tenha parado de crescer, ainda está em um nível muito alto.
Em junho, as dívidas atingiam 77,3% das famílias brasileiras, crescimento de 7,6 pontos percentuais, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
E o pior é a qualidade dessa dívida, pois quase 90% (exatos 86,6%) dela estão no cartão de crédito, seguido de longe por carnês (18,3%) e financiamentos de carros (10,8%). Desde o último ano, cresceu a proporção da dívida por cartão de crédito em mais de 5 pontos percentuais.
O mesmo padrão pode ser visto na inadimplência, que teve retração de 0,2%, mas ainda apresenta um alto índice, de 28,5%, ou seja, quase 1 em cada 3 famílias tem atraso em dívidas.
Dentre os dados que revelam potencial de consumo, o único que subiu foi a confiança do consumidor, medida pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O índice subiu 3,5 pontos em junho, mas depois de muitas quedas sucessivas nos últimos meses. O ICC chegou a 79 pontos, e varia de 0 a 200, tendo em 100 seu índice de neutralidade.
Isso significa que, apesar da melhora, o consumidor continua pessimista. As famílias de baixa renda puxam o indicador para baixo, mostrando que os novos incentivos ao consumo parecem não fazer efeito na intenção de compra destas famílias.
O mercado de trabalho, embora tenha mostrado melhoras nos índices de desemprego, com taxa abaixo de 10% (hoje, está em 9,8%, segundo a PNAD – IBGE) pela primeira vez desde 2016, ainda não reflete a melhora na renda real, muito castigada pela inflação alta.
Assim, o poder de consumo, principalmente dos mais pobres, está limitado a compras de bens essenciais, como mostrou a pesquisa sobre o varejo.
Outra fonte de preocupação são as taxas de juros. O Banco Central já elevou as taxas de 2% para 13,75%, mas o aumento ainda não foi refletido nas taxas ao consumidor.
O primeiro impacto deve ser sentido no setor imobiliário e de automóveis, mais sensíveis à taxa. Só depois o consumidor sentirá o efeito nos crédito diretos ou no cartão. Mais um motivo para a cautela no consumo.
As perspectivas, então, para o consumidor são de cautela e diminuição dos gastos com consumo. O cenário negativo é reforçado pelo desafio externo de aumento de juros nos EUA e pela guerra na Europa; além das maiores dificuldades para manter a renda real e lidar com o excedente de consumo, principalmente em bens duráveis e serviços.
É bem possível que o segundo semestre seja mais restrito que o primeiro, e isso demanda uma posição mais conservadora do consumidor. Esperamos, assim, um crescimento mais brando da economia brasileira no ano fechado de 2022.
CONBCON 2022: Inscrições abertas do Congresso de Contabilidade
Publicado por
Economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e membro do Conselho de Economia Empresarial e Política da mesma instituição. PhD em Economia, Relações Governamentais e Ambiente de negócios, também é professor do MBA da FIA-USP
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