O Fórum Contábeis reúne o maior acervo de conteúdo contábil atualizado e com discussães que promovem um crescimento em geral de toda a comunidade contábil. Conheça e comece a fazer parte da nossa comunidade!
Veja quais tópicos são os mais discutidos nos últimos 10 dias.
Veja em tempo real, os últimos tópicos postados no fórum.
Contribua interagindo com tópicos não respondidos.
Utilize nossas editorias para se informar com um conteúdo atualizado diariamente e diretamente voltado para seu interesse. No portal contábeis você tem a certeza de que pode encontrar o suporte de informação necessário para voce ter ainda mais sucesso profissional.
Envie sua matéria, publique seu artigo e compartilhe com milhares de visitantes todos os dias.
Nossos especialistas discutem os assuntos mais relevantes da atualidade.
Ferramentas que ajudam o profissional contábil, empreendedores e acadêmicos
Encontre o anexo e calcule a alíquota da atividade de sua empresa através da descrição ou do CNAE.
O portal contábeis é feito para profissionais como você, que procuram informação de qualidade e uma comunidade ativa e pronta para discutir, opinar e participar de tudo o que envolve o mundo contábil.
Compartilhe seu conhecimento para visitantes todos os dias.
ARTIGO DE ECONOMIA
03/02/2023 13:30:08
1,8 mil acessos
Moeda comum não vem da noite para o dia Foto: Pixabay

Imagine que dois países resolvam construir uma moeda comum. Um deles tem um déficit fiscal alto, e outro, zero. Mesmo com estas diferenças, ambos resolvem adotar um processo rápido, sem seguir todos os passos técnicos necessários. O deficitário tem duas opções para compensar: ou emitir moeda ou emitir dívida em nome da nova moeda, já que não há nenhuma outra em circulação. 

Neste caso, as duas economias sofrerão ou com o aumento da inflação (no caso de emissão de moeda) ou com o aumento dos juros (no caso de emissão de dívida). Aqui, a nação mais “ajuizada” sofrerá com o excesso de gastos.

Pois bem, este é um exemplo claro de que há a necessidade de uma preparação prévia de homogeneização de políticas econômicas antes de se pensar em qualquer moeda comum. 

Antes disso, qualquer intenção neste sentido não passa de pura especulação ou discurso. O que se considera entre Brasil e Argentina não é uma moeda única nos moldes do euro. Nem poderia ser. A ideia é de uma terceira moeda que circularia paralela às outras duas só para efeito de trocas comerciais. 

Funcionaria tal como se o Brasil tivesse uma poupança em peso e a Argentina, uma poupança em reais e não houvesse a necessidade de dólares para trocas entre ambos. Com o tempo, este dinheiro poderia se tornar uma moeda de curso único nos dois países – mas isso ainda não está em discussão.

Neste contexto, parece que o dólar faz bem a função, mesmo que seja como benchmark de valor, apenas para determinação do preço relativo entre reais e pesos. Assim, toda esta ideia não seria uma medida que traria grandes ganhos a empresários brasileiros e argentinos, que nem sequer sentiriam a diferença, tampouco haveria qualquer ganho para esses países.

Além de todas as dificuldades, ainda estamos tratando de uma nação responsável por menos de 5% das exportações nacionais. Por outro lado, o mundo vive num momento em que o dissenso entre Estados Unidos e China traz a necessidade de substitutos de alguns países asiáticos na cadeia global de suprimentos – ou seja, há uma brecha gigante da qual o Brasil poderia se aproveitar, dedicando mais tempo e energia diplomáticas. Daí, surge a dúvida: vale a pena gastar esforço num tema que trará tão poucos benefícios ao setor privado nacional?

Em suma, não parece, neste momento, valer a pena todo o esforço para o início de um processo de criação de moeda única. 

O trabalho que envolve decréscimo das tarifas médias de importação, reinserção na cadeia global de suprimentos e desburocratização do sistema alfandegário brasileiro traria muito mais benefícios ao setor privado do que ações por uma moeda única com o nosso país vizinho, neste caminho de reformulação de blocos econômicos que o mundo tem seguido.

Imagine que dois países resolvam construir uma moeda comum. Um deles tem um déficit fiscal alto, e outro, zero. Mesmo com estas diferenças, ambos resolvem adotar um processo rápido, sem seguir todos os passos técnicos necessários. O deficitário tem duas opções para compensar: ou emitir moeda ou emitir dívida em nome da nova moeda, já que não há nenhuma outra em circulação. 
Neste caso, as duas economias sofrerão ou com o aumento da inflação (no caso de emissão de moeda) ou com o aumento dos juros (no caso de emissão de dívida). Aqui, a nação mais “ajuizada” sofrerá com o excesso de gastos.
Pois bem, este é um exemplo claro de que há a necessidade de uma preparação prévia de homogeneização de políticas econômicas antes de se pensar em qualquer moeda comum. 
Antes disso, qualquer intenção neste sentido não passa de pura especulação ou discurso. O que se considera entre Brasil e Argentina não é uma moeda única nos moldes do euro. Nem poderia ser. A ideia é de uma terceira moeda que circularia paralela às outras duas só para efeito de trocas comerciais. 
Funcionaria tal como se o Brasil tivesse uma poupança em peso e a Argentina, uma poupança em reais e não houvesse a necessidade de dólares para trocas entre ambos. Com o tempo, este dinheiro poderia se tornar uma moeda de curso único nos dois países – mas isso ainda não está em discussão.
Neste contexto, parece que o dólar faz bem a função, mesmo que seja como benchmark de valor, apenas para determinação do preço relativo entre reais e pesos. Assim, toda esta ideia não seria uma medida que traria grandes ganhos a empresários brasileiros e argentinos, que nem sequer sentiriam a diferença, tampouco haveria qualquer ganho para esses países.
Além de todas as dificuldades, ainda estamos tratando de uma nação responsável por menos de 5% das exportações nacionais. Por outro lado, o mundo vive num momento em que o dissenso entre Estados Unidos e China traz a necessidade de substitutos de alguns países asiáticos na cadeia global de suprimentos – ou seja, há uma brecha gigante da qual o Brasil poderia se aproveitar, dedicando mais tempo e energia diplomáticas. Daí, surge a dúvida: vale a pena gastar esforço num tema que trará tão poucos benefícios ao setor privado nacional?
Em suma, não parece, neste momento, valer a pena todo o esforço para o início de um processo de criação de moeda única. 
O trabalho que envolve decréscimo das tarifas médias de importação, reinserção na cadeia global de suprimentos e desburocratização do sistema alfandegário brasileiro traria muito mais benefícios ao setor privado do que ações por uma moeda única com o nosso país vizinho, neste caminho de reformulação de blocos econômicos que o mundo tem seguido.
Inscreva-se no Telegram do Contábeis e não perca nenhuma notícia
Leia mais sobre
Publicado por
Economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e membro do Conselho de Economia Empresarial e Política da mesma instituição. PhD em Economia, Relações Governamentais e Ambiente de negócios, também é professor do MBA da FIA-USP
ARTICULISTAS CONTÁBEIS
ARTICULISTAS CONTÁBEIS
Agradecemos a sua preferência e enviaremos de forma personalizada os conteúdos que você selecionou!
Tributário
Trabalhista
Contábil
Empresarial
Previdência
Economia
Carreira
Tecnologia
Concordo com a Política de Proteção de Dados e Privacidade
RSS
O Portal Contábeis se isenta de quaisquer responsabilidades civis sobre eventuais discussões dos usuários ou visitantes deste site, nos termos da lei no 5.250/67 e artigos 927 e 931 ambos do novo código civil brasileiro.

source