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ARTIGO DE ECONOMIA
29/04/2022 13:30:01
2,7 mil acessos
O perigo de recessão aumentou no mundo Pexels/Foto: Daniel Dan

A economia mundial começou a enviar sinais preocupantes. Na verdade, na última semana, foi acesa a “luz amarela”, em um processo no qual já estamos alertando há um tempo neste espaço. Alguns fatores reafirmam o medo, após uma mudança brusca nos rumos da economia mundial.

O fato que “acionou o interruptor” foram algumas declarações do presidente do Federal Reserve (FED), Jerome Powell, acenando para a possibilidade de aumento de 0,5% nas taxas básicas de juros da economia norte-americana já na próxima reunião. 

Mesmo com um erro grotesco de avaliação no ano passado, em que a economia dos Estados Unidos atingiu níveis quatro vezes maiores de inflação do que a meta e manteve os juros próximo a 0%, o simples fato de o presidente da autoridade monetária fazer declarações mais conservadoras já foi o suficiente para estragos nas bolsas mundiais.

No entanto, este é apenas um dos sinais de alerta. Outro, muito em voga, foi a invasão da Ucrânia pela Rússia. Os territórios em guerra são importantes fornecedores de energia e commodities agrícolas. A Europa sentiu demais este conflito. 

Os fornecimentos de petróleo e gás de ambos os países para as principais nações do continente europeu eram muito grandes, e algumas, como a Alemanha, dependiam em até 60% deste canal de comércio. 

A interrupção do fornecimento normal de energia logo após as sanções à Rússia e os problemas logísticos levaram o Velho Mundo a uma situação muito próxima à da estagflação, pois, antes, o crescimento previsto já era baixo, e a inflação está batendo os 7,5% ao ano. 

Além disso, estruturalmente, o crescimento, pela organização etária da população, já registrava queda histórica.

Já na Ásia, a China começa a dar sinais de desenvolvimento mais fraco. Se não bastassem os problemas oriundos do novo plano estatizante (Common Prosperity), agora, temos também os efeitos das grandes limitações de mobilidade do plano Covid Zero – restrições de funcionamento, pessoas presas em casa, asilos deixados à própria sorte – que, além de impactar diretamente a produção, já começa a criar grandes filas de navios nos portos de Xangai.

Em suma, a alta de juros norte-americana, o perigo de estagflação na Europa e a debilidade no crescimento chinês podem gerar um cenário muito desafiador para o Brasil. 

A questão estadunidense pode tirar dólares dos países emergentes, embora o Banco Central brasileiro (Bacen) venha fazendo o seu trabalho de forma exemplar. 

No caso da Europa, vários países direcionam pesadas somas a investimentos externos diretos em plantas e produções brasileiras. E, em relação à China, as compras de commodities fazem do país asiático o maior parceiro comercial nacional.

É difícil prever uma recessão nos Estados Unidos e na China, afinal, apesar da diminuição do crescimento, ambos os países ainda apresentam nível de desenvolvimento  suficiente para evitar uma crise . No entanto, uma queda no índice de expansão é bem provável.

 A lição, para nós, é que o cenário externo não deve ajudar mais, como tem ajudado nos últimos anos. Isso pode (e deve) impactar ações de política econômica no País.

A economia mundial começou a enviar sinais preocupantes. Na verdade, na última semana, foi acesa a “luz amarela”, em um processo no qual já estamos alertando há um tempo neste espaço. Alguns fatores reafirmam o medo, após uma mudança brusca nos rumos da economia mundial.
O fato que “acionou o interruptor” foram algumas declarações do presidente do Federal Reserve (FED), Jerome Powell, acenando para a possibilidade de aumento de 0,5% nas taxas básicas de juros da economia norte-americana já na próxima reunião. 
Mesmo com um erro grotesco de avaliação no ano passado, em que a economia dos Estados Unidos atingiu níveis quatro vezes maiores de inflação do que a meta e manteve os juros próximo a 0%, o simples fato de o presidente da autoridade monetária fazer declarações mais conservadoras já foi o suficiente para estragos nas bolsas mundiais.
No entanto, este é apenas um dos sinais de alerta. Outro, muito em voga, foi a invasão da Ucrânia pela Rússia. Os territórios em guerra são importantes fornecedores de energia e commodities agrícolas. A Europa sentiu demais este conflito. 
Os fornecimentos de petróleo e gás de ambos os países para as principais nações do continente europeu eram muito grandes, e algumas, como a Alemanha, dependiam em até 60% deste canal de comércio. 
A interrupção do fornecimento normal de energia logo após as sanções à Rússia e os problemas logísticos levaram o Velho Mundo a uma situação muito próxima à da estagflação, pois, antes, o crescimento previsto já era baixo, e a inflação está batendo os 7,5% ao ano. 
Além disso, estruturalmente, o crescimento, pela organização etária da população, já registrava queda histórica.
Já na Ásia, a China começa a dar sinais de desenvolvimento mais fraco. Se não bastassem os problemas oriundos do novo plano estatizante (Common Prosperity), agora, temos também os efeitos das grandes limitações de mobilidade do plano Covid Zero – restrições de funcionamento, pessoas presas em casa, asilos deixados à própria sorte – que, além de impactar diretamente a produção, já começa a criar grandes filas de navios nos portos de Xangai.
Em suma, a alta de juros norte-americana, o perigo de estagflação na Europa e a debilidade no crescimento chinês podem gerar um cenário muito desafiador para o Brasil. 
A questão estadunidense pode tirar dólares dos países emergentes, embora o Banco Central brasileiro (Bacen) venha fazendo o seu trabalho de forma exemplar. 
No caso da Europa, vários países direcionam pesadas somas a investimentos externos diretos em plantas e produções brasileiras. E, em relação à China, as compras de commodities fazem do país asiático o maior parceiro comercial nacional.
É difícil prever uma recessão nos Estados Unidos e na China, afinal, apesar da diminuição do crescimento, ambos os países ainda apresentam nível de desenvolvimento  suficiente para evitar uma crise . No entanto, uma queda no índice de expansão é bem provável.
 A lição, para nós, é que o cenário externo não deve ajudar mais, como tem ajudado nos últimos anos. Isso pode (e deve) impactar ações de política econômica no País.
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Publicado por
Economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e membro do Conselho de Economia Empresarial e Política da mesma instituição. PhD em Economia, Relações Governamentais e Ambiente de negócios, também é professor do MBA da FIA-USP
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