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ARTIGO DE ECONOMIA
29/06/2023 13:30:05
Em última reunião, realizada na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (Bacen), decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75%, cenário amplamente esperado pelo mercado.
No entanto, boa parte dos agentes não ficou satisfeita com o comunicado, esperando uma sinalização mais clara de queda na próxima reunião, marcada para agosto.
De forma assertiva, os diretores mostraram que ainda existem alguns riscos de alta e de baixa no cenário inflacionário, mas reconheceram que um processo futuro de desaceleração dos números é bem mais plausível.
Nos riscos de alta, citaram a persistência da pressão dos indicadores globais, a desancoragem dos índices de longo prazo (vale lembrar que o último boletim Focus projetou inflação de 3,98% ainda para 2024, fora da meta) e um ponto que preocupa: a incerteza residual acerca dos termos do arcabouço fiscal.
Todas essas questões são legítimas. A despeito da queda da inflação no mundo todo, os núcleos, que representam, em sua maioria, os preços ligados ao excesso de demanda, se recusam a cair.
Esse declínio global, até agora, foi apenas um reflexo da melhoria nos preços das commodities, em especial por causa da China. No caso do Reino Unido, a inquietação é ainda maior, já que o índice cheio ainda nem recuou.
Quanto à desancoragem fora da meta das expectativas, indicada pelo Focus, a boa notícia é que já é possível vislumbrar um ajuste constante para baixo, revelando que uma abertura da janela está próxima.
Agora, em relação ao arcabouço, este não se mostra uma estrutura própria para tornar a política fiscal deflacionária. Uma coisa são os objetivos de déficits/superávits (já muito questionáveis), outra é o montante dos gastos do governo que pressionam (ou não) a demanda. E isso assusta, porque não há necessidade de diminuir os gastos reais do governo.
O Copom também reconhece as boas perspectivas para a conjuntura. A desaceleração da China, a queda nos preços das commodities e a diminuição no ritmo da atividade global, além do crédito doméstico, são fatores que ajudam a inflação a se manter em níveis mais tranquilos para 2023.
Assim, o Bacen indica que, a depender do contexto, pode, sim, baixar a Selic nas próximas reuniões, ressaltando que os passos futuros dependerão da evolução do processo inflacionário, bem como que estará atento aos itens sensíveis, à política monetária e às perspectivas, principalmente para o ano que vem.
Em outras palavras, o banco analisará a inflação de serviços e como o mercado projetará esses resultados para 2024.
Dito isso, o que o mercado esperava dessa reunião do comitê? Que o Bacen já garantisse queda nas próximas reuniões?
Isso não é o papel dele, que fez exatamente o que deveria ser feito, explicitando condições para uma redução futura. Se esses requisitos forem cumpridos, o esperado virá. Caso contrário, precisaremos ter paciência. Esse é o trabalho da política monetária.
Em última reunião, realizada na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (Bacen), decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75%, cenário amplamente esperado pelo mercado.
No entanto, boa parte dos agentes não ficou satisfeita com o comunicado, esperando uma sinalização mais clara de queda na próxima reunião, marcada para agosto.
De forma assertiva, os diretores mostraram que ainda existem alguns riscos de alta e de baixa no cenário inflacionário, mas reconheceram que um processo futuro de desaceleração dos números é bem mais plausível.
Nos riscos de alta, citaram a persistência da pressão dos indicadores globais, a desancoragem dos índices de longo prazo (vale lembrar que o último boletim Focus projetou inflação de 3,98% ainda para 2024, fora da meta) e um ponto que preocupa: a incerteza residual acerca dos termos do arcabouço fiscal.
Todas essas questões são legítimas. A despeito da queda da inflação no mundo todo, os núcleos, que representam, em sua maioria, os preços ligados ao excesso de demanda, se recusam a cair.
Esse declínio global, até agora, foi apenas um reflexo da melhoria nos preços das commodities, em especial por causa da China. No caso do Reino Unido, a inquietação é ainda maior, já que o índice cheio ainda nem recuou.
Quanto à desancoragem fora da meta das expectativas, indicada pelo Focus, a boa notícia é que já é possível vislumbrar um ajuste constante para baixo, revelando que uma abertura da janela está próxima.
Agora, em relação ao arcabouço, este não se mostra uma estrutura própria para tornar a política fiscal deflacionária. Uma coisa são os objetivos de déficits/superávits (já muito questionáveis), outra é o montante dos gastos do governo que pressionam (ou não) a demanda. E isso assusta, porque não há necessidade de diminuir os gastos reais do governo.
O Copom também reconhece as boas perspectivas para a conjuntura. A desaceleração da China, a queda nos preços das commodities e a diminuição no ritmo da atividade global, além do crédito doméstico, são fatores que ajudam a inflação a se manter em níveis mais tranquilos para 2023.
Assim, o Bacen indica que, a depender do contexto, pode, sim, baixar a Selic nas próximas reuniões, ressaltando que os passos futuros dependerão da evolução do processo inflacionário, bem como que estará atento aos itens sensíveis, à política monetária e às perspectivas, principalmente para o ano que vem.
Em outras palavras, o banco analisará a inflação de serviços e como o mercado projetará esses resultados para 2024.
Dito isso, o que o mercado esperava dessa reunião do comitê? Que o Bacen já garantisse queda nas próximas reuniões?
Isso não é o papel dele, que fez exatamente o que deveria ser feito, explicitando condições para uma redução futura. Se esses requisitos forem cumpridos, o esperado virá. Caso contrário, precisaremos ter paciência. Esse é o trabalho da política monetária.
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Economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e membro do Conselho de Economia Empresarial e Política da mesma instituição. PhD em Economia, Relações Governamentais e Ambiente de negócios, também é professor do MBA da FIA-USP
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