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ARTIGO DE ECONOMIA
15/04/2022 13:30:01
2,7 mil acessos
Apesar de o fantasma da inflação assustar, o Banco Central tem agido de forma correta Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

No mês passado, a inflação, novamente, assustou. A divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi a maior desde a implantação do Plano Real (1,62%). Não víamos números deste nível para março desde que o índice brasileiro chegou a níveis razoáveis.

O primeiro pensamento que vem à cabeça é óbvio: com o gigante aumento de combustíveis decorrente da crise na Ucrânia, talvez este tenha sido o grande causador do aumento. 

No entanto, um simples exercício mostra que isso não é verdade. Se não houvesse acréscimo nenhum no custo dos transportes, item no qual o combustível está incluído, o índice teria apontado aproximadamente 1%. 

É lógico que há alguma influência indireta, mediante os fretes, mas há de se imaginar que este feito não ocorre de imediato.

Ao analisarmos os dados separados por setor, é possível confirmar que os incrementos de preços são generalizados. 

O grupo de alimentação, por exemplo, que havia registrado um aumento de 1,28%, em fevereiro, subiu 2,42%, em março.

 A mesma tendência foi observada em vestuário, que passou de 0,88% para 1,82%, e em habitação, que foi de 0,54% para uma subida de 1,15%, no terceiro mês do ano.

E um detalhe comum a todos: esse aumento foi maior do que 1%.

O setor de transportes apontou acréscimo de 3,02%, ante 0,46% no mês anterior, contribuindo significativamente para o índice geral. 

Contudo, devemos lembrar que a influência do segmento de educação foi totalmente esvaziada – de 5,6%, em fevereiro, para 0,15%, em março.

Além disso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou, em nota, que o índice de difusão do IPCA passou de 75% para 76% no mesmo período. 

Esse índice mostra o percentual de itens com adição de preços – ou seja, no mês passado, três em cada quatro itens pesquisados estavam um ponto porcentual (p.p.) mais caros do que o registrado no mês anterior.

Os dados revelam um cenário muito claro: a inflação está difusa, e boa parte desta é de demanda ou inercial. 

Assim, os números corroboram uma atitude mais incisiva e conservadora por parte do Comitê de Política Monetária (Copom). 

Além disso, qualquer enfraquecimento da política de juros, agora, pode gerar um sério problema de desancoragem das expectativas. 

Vale lembrar que a inflação de 12 meses bateu 11,35% e está mais de 8 p.p. acima da meta, de 3,5% (com bandas entre 2% e 5%). 

Isso significa que, mesmo que um processo de desaquecimento do processo inflacionário se inicie, deverá ser lento e longo, graças à estabilidade de commodities e ao câmbio mais valorizado. 

Em suma, é provável, e aconselhável, que o Banco Central (Bacen) continue agindo com seriedade e racionalidade. Por isso, os juros devem ultrapassar a barreira dos 14% até o fim do ciclo. 

Uma política monetária mais contracionista no curto prazo será mais do que compensada pela menor necessidade de duração da política no longo prazo.

Sendo assim, a postura responsável e cuidadosa do Bacen deve se manter nos próximos meses para o bem do Brasil.

No mês passado, a inflação, novamente, assustou. A divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi a maior desde a implantação do Plano Real (1,62%). Não víamos números deste nível para março desde que o índice brasileiro chegou a níveis razoáveis.
O primeiro pensamento que vem à cabeça é óbvio: com o gigante aumento de combustíveis decorrente da crise na Ucrânia, talvez este tenha sido o grande causador do aumento. 
No entanto, um simples exercício mostra que isso não é verdade. Se não houvesse acréscimo nenhum no custo dos transportes, item no qual o combustível está incluído, o índice teria apontado aproximadamente 1%. 
É lógico que há alguma influência indireta, mediante os fretes, mas há de se imaginar que este feito não ocorre de imediato.
Ao analisarmos os dados separados por setor, é possível confirmar que os incrementos de preços são generalizados. 
O grupo de alimentação, por exemplo, que havia registrado um aumento de 1,28%, em fevereiro, subiu 2,42%, em março.
 A mesma tendência foi observada em vestuário, que passou de 0,88% para 1,82%, e em habitação, que foi de 0,54% para uma subida de 1,15%, no terceiro mês do ano.
E um detalhe comum a todos: esse aumento foi maior do que 1%.
O setor de transportes apontou acréscimo de 3,02%, ante 0,46% no mês anterior, contribuindo significativamente para o índice geral. 
Contudo, devemos lembrar que a influência do segmento de educação foi totalmente esvaziada – de 5,6%, em fevereiro, para 0,15%, em março.
Além disso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou, em nota, que o índice de difusão do IPCA passou de 75% para 76% no mesmo período. 
Esse índice mostra o percentual de itens com adição de preços – ou seja, no mês passado, três em cada quatro itens pesquisados estavam um ponto porcentual (p.p.) mais caros do que o registrado no mês anterior.
Os dados revelam um cenário muito claro: a inflação está difusa, e boa parte desta é de demanda ou inercial. 
Assim, os números corroboram uma atitude mais incisiva e conservadora por parte do Comitê de Política Monetária (Copom). 
Além disso, qualquer enfraquecimento da política de juros, agora, pode gerar um sério problema de desancoragem das expectativas. 
Vale lembrar que a inflação de 12 meses bateu 11,35% e está mais de 8 p.p. acima da meta, de 3,5% (com bandas entre 2% e 5%). 
Isso significa que, mesmo que um processo de desaquecimento do processo inflacionário se inicie, deverá ser lento e longo, graças à estabilidade de commodities e ao câmbio mais valorizado. 
Em suma, é provável, e aconselhável, que o Banco Central (Bacen) continue agindo com seriedade e racionalidade. Por isso, os juros devem ultrapassar a barreira dos 14% até o fim do ciclo. 
Uma política monetária mais contracionista no curto prazo será mais do que compensada pela menor necessidade de duração da política no longo prazo.
Sendo assim, a postura responsável e cuidadosa do Bacen deve se manter nos próximos meses para o bem do Brasil.
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Publicado por
Economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e membro do Conselho de Economia Empresarial e Política da mesma instituição. PhD em Economia, Relações Governamentais e Ambiente de negócios, também é professor do MBA da FIA-USP
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